A vida em preto e branco

Em 04/05/2016


Amigo homem, imagine o caos.

Agora piore um pouco mais.

Levar seu filho para a casa da vacina, sem a ajuda da sua esposa. Imaginou? Eu sei, é só o lado masculino da história, mas, se você é mulher e está lendo este texto, olhe por outra perspectiva, a do homem. Fique tranquila, é fácil, não tem muito o que olhar mesmo.

Voltando ao caos, a parte fácil é a da vacina, acredite. Embora eu sinta uma vontade incontrolável de pular no pescoço daquela mulher que enfia a agulha na perna do meu filho. Acordar, alimentar, vestir, arrumar a malinha, secar meu suor, apertar o meu xixi, comer meio sanduíche, dois goles de café, correr para não deixar o pequeno escalar o sofá, descer o elevador com duas mochilas, o carrinho (daqueles mega), uma sacola de lixo e o filhote (no caso, meu filho), me concentrar e colocar cada coisa no seu devido lugar, dar partida no carro, cantar músicas de animais com penas, seguir por um trânsito caótico, estacionar, olhar para a cara do servidor público "feliz" e pegar a senha, procurar a "aguinha" (nome atribuído por pais e mães à mamadeira de água) que sempre está dentro da mala para saciar a sede de seu filho, mas não achar, e ainda, encontrar aquelas mães que ficam todas bobas querendo saber um monte de coisas sobre o seu filho:

- Quando nasceu o primeiro dentinho dela?

- É ele - respondi - Henrique. Ah, e não sei quando foi que nasceu o primeiro dente dele.

- Ah, e quantos mesinhos ela tem?

- Ele tem um ano e três meses.

- Ela já caminha?

Bem, deixa pra lá, desisto. Aceito o caos e me concentro em uma coisa de cada vez, no momento, pular no pescoço da mulher da agulha.

Duas picadas depois e vendo o quão corajoso meu filhote é, em casa, tirando o casaquinho dele reparei, hummm... esse casaco parece azul. Justo, parece. Peguei outro que tinha certeza de que era azul, a mãe dele que comprou, e comparei. Entendi o ELA. O rapazote estava vestido de rosa. São aquelas roupinhas de usar em casa, que as primas dão, sabem? Pois é, só eu não sabia, ou melhor, até sabia, mas para um daltônico, cores são um pouco mais complicadas.

Pois bem. Foi uma boa lição: não vestir o filho.

Se vestir: preto, branco, cinza, branco, preto, cinza. Coitado, se depender de mim vai parecer um bebê triste, monocromático.

Este foi um episódio que aconteceu em 2013 e que, afora estes pequenos detalhes cromáticos, me ensinou uma coisa: fotografar em preto e branco. Isto mesmo, assumi meu daltonismo e passei a fotografar em preto e branco. Como utilizo o formato de arquivo RAW, todos os ajustes que a máquina aplica na foto são apenas para visualização. Ao abrir o arquivo, ele volta a ser colorido.

O que mudou?

Não muito, dá para fazer uma "balaca", as cores não me atrapalham mais e fiquei mais criativo, fotografo em qualquer luz prestando muito mais atenção na composição.

Ao olhar para o seu trabalho, olhe com o olhar sábio de quem aprendeu, e me diga, que cor você enxergou?

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O pré disparo em TTL

Em 20/04/2016


Gosto de fotografar com meu flash em manual. É seguro e não há surpresas. Mas não com Fernanda. Ela era daquelas noivas dinâmicas. Meu assistente não dava conta de se movimentar e manter a mesma distância que havíamos combinado. Numa hora estava sentada conversando, noutra dava pulos de alegria com suas melhores amigas, logo a seguir abraçava seu marido como quem diz, "babem suas trouxas,