Não faria novamente

Em 04/07/2016


Saber a hora de dizer "não" é muito importante.


Não! Agora, não.


Eram 20h e mantive minha decisão. É que minha sobrinha estava para nascer e eu não teria outra oportunidade de ver tal cena. Apesar de atrasados, o trabalho podia esperar, afinal de contas, durante toda a madrugada era o making of, o trabalho de fato, só iniciaria no dia seguinte.


Nasceu! Feliz, rodei os 170Km até o local do trabalho. Chegamos na primeira hora da madrugada. Durante as horas seguintes as tarefas se dividiram em: manter­-se acordado, enterrar um avião, um poste, um carro e desatolar uma camionete, bem divertido. A parte que atrapalhou um pouco foi o frio e a chuva. Era julho, aqui no sul é comum temperaturas perto de zero grau. Até aí tudo bem, 2 graus, estamos acostumados, mas a chuva, ah, essa atrapalhou. Era fina e vinha de todas as direções, a que mais atrapalhava vinha por baixo.


As capas de chuva que providenciamos se deterioraram enquanto enterrávamos a cauda do avião. O gerador que levamos para os canhões de luz afogou e não pegava. O reboque com nossos materiais não chegava até o local da produção, precisou ser arrastado e desatolado duas vezes. O vento impossibilitava nossos assistentes de segurar os softbox que gostaríamos de usar e a areia da praia insistia em penetrar por todos os cantos e buracos que existiam em qualquer lugar de nossas roupas. O que me preocupava mais, era a areia no equipamento. Geradores, tochas, corpos reservas, rebatedores e tripés, malas e cases, eu disse não! Eles não descem do reboque, ficam ali, teoricamente mais protegidos.


A essa altura, os sacos de lixo, que eram para serem usados com o lixo, viraram ótimas capas de chuva. O plástico de filme que seria usado para os sanduíches serviu para proteger nossas máquinas. A luz? Bem, teve que ser improvisada. Mas como fazer uma luz a altura de produção, se não podíamos colocar nada, absolutamente nada, no lado de fora dos cases e capas de chuva?


Boa pergunta. Era um "NÃO" bem grande que existia na nossa frente. Olhei para minha irmã, Isa, que me acompanhava nesta empreitada, e chorei.


Brincadeira, mas dava vontade.


Foi então, que na adversidade tivemos uma ideia. Pegamos muita fita crepe e enrolamos nossos speedlights em pequenos softbox que tínhamos e, através de rádios, os disparávamos. Como o dia estava cinzento e não havia necessidade de grandes subexposições, a potência limitada dos pequeninos deu conta. Bem, e a produção? Esta revelou­-se a mais complicada e linda que já fizemos. Foram 40 horas longe do meu travesseiro, centenas de luzes vermelhas piscantes nas gigantes hélices do parque eólico, ventos uivantes, fome, frio, areia, água gelada descendo pelo cano da bota, e lindas fotos.


Não! Se me perguntassem se faria novamente.


Sim! No caso de a pergunta ser: Valeu a pena?


Duro de acreditar, não?


Então, olha aí:



E as fotos:

https://www.behance.net/gallery/32612991/O­Cordeir...

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Mudar o Mundo

Em 24/06/2016


Será que vou de preto ou branco? Sei lá. Na dúvida vou de amarelo. Não, pera aí, vão achar que sou egocêntrico. Azul então! Não, vou ser muito previsível. E vermelho? Excêntrico. A que saco, não vou mais, desisti. Vou ficar em casa e comer pipoca salgada mesmo, ir no mercado dá muito trabalho.Escolhas, tenho pensado nelas.Isso me lembra a discussão do extra quadro, penso no poder que