Qualquer um pode fotografar

Em 15/04/2016


Era uma quinta feira chuvosa. Havia algo, um som, e não estou falando do limpador do parabrissssa, que no vai e vem produzia um estridente som como o de areia friccionada contra um vidro, falo de outro, pior. Já estava zonzo. Sacudi a cabeça, estralei os dedos e olhei para o rádio. Opa, descobri, era ele! Estava sintonizado numa dessas rádios "semirock" nas quais as músicas, ou melhor, traços de música, pois cortam todo o início e final delas, emitiam sons e ruídos que não eram compatíveis com o que meu cérebro e ouvidos eram capazes de escutar e absorver, não naquela hora.

Desliguei, paz. Na verdade, há momentos em que o único som que quero ouvir é o silêncio. Tem sido assim nos últimos anos para mim. Acho que vou vender o rádio. Não, melhor, vou vender o carro. Pois assim fiz. Vendi.

Numa das vezes que me deslocava a Porto Alegre, agora de trem, encontrei um famoso pintor da minha cidade, Anderson Neves, um amigo de longa data, e um noivo que havia fotografado, noutra conheci Frank Jorge, músico, professor de ensino superior, e rockeiro de plantão. No carro, estaria sozinho. Conversamos sobre assuntos variados, de tendências da moda masculina a receitas de comida mexicana. Com Frank Jorge falei sobre música, é claro, ele disse, - Hoje, qualquer um pode cantar, tudo o que precisa é de bons profissionais para mixar e vender, mas fazer boa música, isso é para poucos.

Na fotografia é parecido, só que está cheio de boas fotos por ai! Acho que, nessa era da reprodutibilidade técnica, como dizia Walter Benjamin, não há mais muito o que fazer, apenas repetir, então, pega-se as melhores receitas de fotos consagradas e repete-se. Mas como é que tem os fodões e os não tão fodões? Ah, como disse o Frank Jorge, - A diferença esta em saber mixar e vender.

Pois bem, reflexões a parte, acho que nunca vi tanta foto linda, tanta gente explorando o inexplorável e honestamente, não sei o que vai ser daqui pra frente, mas uma coisa sei, outra vez citando Walter Benjamin, ele disse: - O analfabeto do futuro é quem não sabe fotografar.

Mas quem vai fazer "aquela" música, hein Frank Jorge? Poucos. Um primeiro passo, é andar de trem.

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A primeira vez a gente nunca esquece

Em 01/04/2016


Lembro como se fosse ontem. Suor, tremor e nervosismo tomavam conta do meu corpo e podiam ser apreciados a kilometros. Ainda inexperiente no assunto, mas por conta da situação e da pseudo coragem, estava totalmente entregue ao momento. Também entregue estava a minha vida as mãos de Deus, torcendo para que desse tudo certo e terminasse logo. Se bem que, nestes casos, o logo, não é exatamente