Trabalhando pra cachorro

Em 06/04/2017


Fazer diferença no mercado exige criatividade e oportunismo.


Raramente conseguimos unir esses dois atributos numa mesma campanha. As grandes campanhas de publicidade conhecem as regras e por isso são grandes. Nós, proprietários de pequenos negócios, dificilmente conseguimos conciliar uma boa campanha com uma boa oportunidade.


Mas quando o conseguimos é fantástico.


Um dia, nossa cachorra LAYDE, pastor alemão de cinco anos, adoeceu e fomos em busca dos serviços de um veterinário. Para garantir que nenhum problema ocorreria no transporte e no atendimento, levei junto minha filha mais velha, com quem a LAYDE se “entendia melhor”.


Chegamos ao primeiro consultório e encontramos uma sala abarrotada de cachorros e outros animais. O tempo de espera era de mais de uma hora.


Fomos adiante, para um outro cujo nome nos foi recomendado. Sem sucesso. A fila de espera era maior que a anterior.


Partimos em busca de um terceiro e, quando chegamos, soubemos que havia quatro atendimentos na nossa frente. Decidimos esperar, o que levou um bom tempo.


Enquanto aguardávamos na sala de entrada, cuidando para que os “pacientes” não entrassem em conflito, íamos trocando informações com os outros donos de cachorros. Logo percebemos que a população canina, e de outros animais de estimação, havia crescido muito além da capacidade de atendimento dos veterinários da cidade.


Foi quando a minha filha, num rasgo de percepção, disse: Por que não fotografamos cachorros também?


Um silêncio percorreu a sala e logo uma senhora anuiu: “Olhem! Aqui a gente vem quando eles estão doentes. Para fazer uma fotografia a gente vai quando estão sãos, felizes e com o pelo bonito. É uma boa ideia. Ainda não vi nenhum estúdio fazendo fotografias de animais de estimação”.


Saímos da consulta montando as ideias para a campanha e o título surgiu logo no primeiro minuto: Fotografe seu bichinho. Ele poderá ser capa de revista.


A campanha começou a decolar



No dia seguinte, já havíamos fechado contato com duas revistas especializadas em animais de estimação. Ficaram contentes, pois havia grande escassez de fotografias de boa qualidade. Quase sempre o material usado vinha dos proprietários dos animais.


Para desenvolver as amostras fomos atrás de voluntários, amigos, vizinhos e amigos dos amigos. Logo tínhamos uma boa variedade de animais diante das nossas câmeras. Em uma semana as amostras estavam prontas e levou mais uma semana para que os folhetos e cartazes também ficassem disponíveis.


Então, era só trabalhar.


Percorrendo a nossa cidade, relacionamos sete veterinárias e dezesseis pecuárias. Tornaram-se nossos promotores de venda.


Em cada estabelecimento colocamos um cartaz e alguns folhetos para divulgar a campanha. Em contrapartida, oferecemos aos donos das referidas lojas ampliações dos animais encaminhados por eles, para decoração da loja ou consultório veterinário.


Assim, um promovia o negócio do outro e, de cliente em cliente, chegamos a fotografar cento e onze animais de estimação durante as duas semanas da campanha. Tínhamos clientes de todos os tipos e tamanhos. Cachorros, gatos, porquinho da índia, papagaios, coelhos e até uma tartaruga.


Cara de um, fucinho do outro


O que nos chamou a atenção foi a semelhança dos bichinhos com os seus donos. Sempre havia um traço familiar entre os dois, uma espécie de identidade permitida ou até esperada das pessoas.


O caráter do dono era transmitido para seu parceiro pelo comportamento. Pessoas agitadas tinham animais agitados, inquietos. Pessoas calmas traziam animais pacatos ou até pachorrentos. Era interessante aprender através da observação e deduzir a partir disso a dificuldade em fazer as fotografias dos bichinhos.


Uma qualidade que percebemos em todos os clientes que entraram no nosso estúdio durante estas duas semanas, foi o amor que tinham ou dedicavam aos seus companheiros.


Impressionantes histórias de dedicação nos foram mostradas. Pessoas doando seu tempo, seu interesse e sua afeição para estes seres aparentemente irracionais, mas que em retribuição doavam-se inteiramente aos seus donos.


Muito interessante o que aprendemos durante esses dias sobre o comportamento humano e seus bichinhos de estimação.


O cadastro de clientes aumentou consideravelmente



Quando concluímos a campanha, tínhamos aumentado o nosso cadastro de clientes e o círculo de amigos com os quais começamos a nos relacionar.


As imagens obtidas durante o trabalho foram enviadas para as revistas especializadas e para as cinco primeiras selecionadas foram entregues ampliações no tamanho de cinqüenta por sessenta centímetros. Estas ampliações ficaram nas nossas vitrines durante mais trinta dias, promovendo o pós-venda do produto.


Com tamanha repercussão entre os admiradores de animais de estimação, vimo-nos na contingência de publicar no jornal da localidade um “insert” de agradecimento. Esta publicação nos trouxe novamente um maior retorno do que o esperado reanimando o interesse do mercado pelo nosso trabalho.


Durante toda a campanha, o que mais nos impressionou foi o comportamento e a obediência de um casal de cachorros da raça “weimaraner”. Desde a sua chegada ao estúdio, até a obtenção das fotografias, foi uma demonstração pura de obediência, confiança e amor ao seu dono e deste para eles.


Que respeito, que entrosamento e que alegria tinham em cumprir a ordem recebida.


Com a devida autorização do dono, obtivemos uma ampliação para ser exposta num concurso que posteriormente ocorreu a nível estadual. Recebemos Menção Honrosa pela imagem, honraria que fizemos questão de transferir para os nossos modelos e seu melhor amigo.


A motivação durante toda a campanha



Mas o que mais nos emocionou foi mesmo o nosso primeiro cliente.


Segunda-feira, às oito horas e trinta minutos abrimos o estúdio dando início à campanha “Fotografe seu bichinho, ele poderá ser capa de revista”.


Ao abrirmos a porta, bem na nossa frente estava um menino dos seus nove anos. Embaixo do braço esquerdo estava o jornal do dia com o anúncio da campanha. No seu braço direito estava seu bichinho de estimação. Um filhote de “Cocker Spaniel” na cor caramelo, que arfava respirando com dificuldade e, irrequieto, tentava descer para o chão.


O menino perguntou se era aí que estavam fazendo fotos dos cachorrinhos para as revistas. Confirmamos que sim e o convidamos a entrar.


Então, contou-nos que assim que haviam recebido e lido o jornal juntou seu amigo peludo e vieram caminhando perguntando pelo endereço e localização do estúdio.


Foi logo adiantando que não tinha dinheiro, mas que gostava muito do seu cãozinho e achava que poderia ser capa de revista, sim!


Ele nos contou que morava num bairro da cidade e que saíra cedo para ter a oportunidade de concorrer na campanha. Fotografamos com muito amor aquele cachorrinho. Depois fotografamos também o seu dono e, por fim, nos fotografamos junto com os dois.


Foi a nossa motivação durante toda a campanha.

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Fotógrafos de Palco

Em 23/03/2017


Há alguns dias, li algo sobre empreendedores de palco, palestrantes motivacionais que nunca sequer tiveram uma empresa de sucesso. Paralelo a isso, acredito que estejam surgindo “fotógrafos de palco”, e o pior, pregando regras e filosofias de algo que nunca sequer existiu. Na fotografia, assim como em quase tudo na vida, precisamos sempre evoluir, buscar conhecimento e aprimorar essa tão b