Uma Visita

Em 27/06/2017


Ontem recebi uma visita.

Dizem que éramos como unha e carne, PIU PIU e FRAJOLA, TOM e JERRY, mas, as circunstâncias da vida quiseram diferente. Eu tinha apenas dez anos, não achava aquilo justo, e também não sabia exatamente o que significava separar-se, muito menos como proceder para manter o contato. E, mesmo não sabendo nada sobre a vida, tive que aprender a lidar com tudo aquilo e tratar de seguir meu caminho, 2 mil km longe do meu melhor amigo.


Assim foi, até que vinte e três anos mais tarde, encontrávamos-nos pela primeira vez, sentados, tomando cerveja e tentando resgatar memórias quase esquecidas de coisas que havíamos vivido no passado. Foi difícil, embora alimentássemos a mesma vontade de estarmos unidos que tínhamos nos anos 80, lembrar das macaquices, tombos, do ping pong, das músicas que cantávamos na frente de todos na igreja, era difícil, estava tudo muito longínquo. Mas era real, vivemos, as cicatrizes espalhadas pelo corpo eram prova disso.


Então, lembrei de pegar o meu álbum de fotografias. Ali, certamente encontraríamos algo que amparasse nossas memórias e que nos ajudaria a resgatar um pouco mais da nossa amizade. De fato, do álbum inteiro que recebi de minha mãe como um querido presente quando saí de casa, na maior parte das fotografias da minha primeira infância, estou ao lado dele. Acho que meu pai, em início de carreira, nos usava como cobaias, as fotos eram abundantes. Naquela hora agradeci por ter a cerveja, os goles ajudavam a disfarçar os nós que davam na garganta. Realmente foram muitas coisas que vivemos juntos até os meus dez anos.


As memórias em registros



Depois de toda a conversa que tivemos, concluí que ainda não sei nada sobre a vida. Mas vou vivendo, e fotografo para um dia olhar mais álbuns de fotos e poder trazer no rosto algumas rugas, nos lábios um sorriso e nos olhos, um brilho.


Tudo isso me faz lembrar de como é importante você também posar para fotos. Embora o seu ofício seja o de fotografar a vida dos outros, tenha sempre em mente que você também está vivo, e que suas memórias vão além do instagram.


Para que sirva de exemplo, cito a experiência que tivemos essa semana. Fomos ao estúdio para registrar nossa família. A ideia foi da Isa, "Ah, vamos fotografar para recordar..." dizia ela, e com toda razão. Agora, posso olhar para nossas fotos e perceber: dentre tudo o que buscamos, o que mais precisamos está sempre ao nosso lado.


Gerson, um grande abraço!


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Em 05/06/2017


Era um ensaio de 15 anos. A moça, filha única de pais separados, rebelde, fisionomia madura, roupas sensualizadas e Iphone novo em punho. A mãe, velha conhecida. Frequentava nosso estúdio desde a gestação. O pai, lembro dele sempre carregado a tiracolo para o dia do suplício. Nas fotos parecia ser o suprassumo do sucesso, o chefe da família e carregava o semblante da imagem “deixa comigo